Aumento na importação de veículos elétricos impacta balança comercial

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Impulsionado pela queda no preço da soja e do milho e pelo aumento na importação de veículos elétricos, o superávit da balança comercial caiu em junho. No mês passado, o país exportou US$ 6,711 bilhões a mais do que importou, informou nesta quinta-feira (4) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Esse resultado representa uma queda de 33,4% em comparação com o mesmo período do ano passado, mas ainda é o quarto melhor resultado para meses de junho, ficando atrás apenas dos recordes de junho de 2021 (US$ 10,414 bilhões), 2023 (US$ 10,077 bilhões) e 2022 (US$ 8,89 bilhões).

Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, explicou que o aumento na importação de carros elétricos indica uma antecipação de compras para formar estoques e evitar a elevação do Imposto de Importação sobre esses veículos. “Há uma demanda significativa por veículos híbridos e elétricos. Com o aumento da tarifa de importação em julho, é esperado que os importadores tenham antecipado suas operações para pagar tarifas menores”, destacou. Desde julho, as tarifas para carros elétricos subiram de 12% para 25%.

A balança comercial acumulou um superávit de US$ 42,31 bilhões no primeiro semestre deste ano, uma queda de 5,2% em comparação com o mesmo período do ano passado. Esse é o segundo maior resultado para o período desde o início da série histórica em 1989, ficando atrás apenas de 2023, que registrou US$ 44,617 bilhões.

Em termos mensais, as exportações subiram levemente, enquanto as importações cresceram mais, impulsionadas pela entrada de veículos elétricos. Em junho, o Brasil exportou US$ 29,044 bilhões, um aumento de 1,4% em relação ao mesmo mês de 2023. As importações totalizaram US$ 22,333 bilhões, uma alta de 3,9%.

Nas exportações, a queda no preço internacional da soja, do aço e das carnes foram os principais fatores que impediram um maior crescimento. As vendas de petróleo bruto, minério de ferro, algodão e café subiram no mês passado, compensando a diminuição nos preços dos demais produtos.

Nas importações, houve um aumento nas aquisições de fertilizantes, petróleo e derivados, aeronaves e carros elétricos, enquanto as compras de carvão e de válvulas e turbos termiônicos diminuíram.

Após atingirem recordes em 2022 devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, as commodities vêm recuando desde a metade de 2023, com exceção do minério de ferro, cuja cotação vem reagindo aos estímulos econômicos da China, principal compradora do produto.

Em junho, o volume de mercadorias exportadas subiu 2%, impulsionado pelas vendas de café, combustíveis e petróleo bruto, enquanto os preços caíram 2,2% em média em comparação com o mesmo mês do ano passado. Nas importações, a quantidade comprada subiu 22,3%, mas os preços médios recuaram 6,7%.

Setores
No setor agropecuário, a queda de preços impactou mais as exportações. O volume de mercadorias embarcadas subiu 5,9% em junho em comparação com o mesmo mês de 2023, enquanto o preço médio caiu 10,2%. Na indústria de transformação, a quantidade caiu 4%, com o preço médio recuando 0,3%. Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade exportada subiu 12,5%, enquanto os preços médios subiram 3,6%.

Estimativa
Apesar da queda no superávit em junho, o governo revisou para cima a projeção de superávit comercial para 2024. A estimativa subiu de US$ 73,5 bilhões para US$ 79,2 bilhões, uma queda de 19,9% em relação a 2023. Na previsão anterior, a queda estava estimada em 25,7%. A próxima projeção será divulgada em outubro.

Segundo o MDIC, as exportações subirão 1,7% este ano em comparação com 2023, encerrando o ano em US$ 345,4 bilhões. As importações subirão 10,6%, fechando o ano em US$ 266,2 bilhões. As compras do exterior devem aumentar devido à recuperação econômica, que eleva o consumo, num cenário de preços internacionais menos voláteis do que no início do conflito entre Rússia e Ucrânia.

As previsões estão mais pessimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada semanalmente pelo Banco Central, projeta um superávit de US$ 81,55 bilhões neste ano.

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