Dra Sara Gabriela – O impacto mortal das fake news

Apesar de compartilhar Fake News ainda não resultar numa punição mais dura, a atitude pode causar danos irreparáveis nas vidas das vítimas. Foi o que aconteceu com Jéssica Vitória Canedo, que tirou a própria vida após ser vítima de mentiras de perfis de fofocas nas redes sociais, dentre eles o Choquei.

 A mãe de Jéssica vem a público e chora. Desta vez, a tragédia das Fake News alcançou sua filha. Se para a dor da mãe para a perda de um filho não há nomes, não existe palavra que dê conta ao dano causado na vida de quem é vítima de uma notícia mentirosa.

No Brasil, a liberdade de expressão é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal de 1988. Direito fundamental não se confunde com direito absoluto. Um direito é fundamental porque foi positivado na Constituição, detendo superioridade hierárquica frente a direitos subjetivos infraconstitucionais, e não pode ser revogado por emenda constitucional. A partir disso, está sujeito a limitações jurídicas.

A primeira limitação do nosso ordenamento jurídico é o dever verossimilhança do pensamento expresso. Ou seja, não é permitido imputar ou atribuir a outrem fato sabidamente falso.

Mas como controlar o nosso ímpeto imediatista e o fascínio pela novidade e o escândalo?

Recorremos à Alegoria da Caverna, no momento em que Sócrates dialogava com Glauco e Adimanto, sobre o que seria a verdade. Resumidamente, detrai-se da alegoria platônica que a verdade está na superação da ignorância.

Hoje, neste mundo volátil, incerto, binário, em que tudo é fruto da certeza, Sócrates, não teria tempo para recorrer à maiêutica. Seria suficiente que respondesse a Glauco, apenas, que verdade é o oposto de Fake News!

Ainda, recorrendo ao visionário filósofo, podemos evitar que nos tornemos trampolins de falsas informações, através da metáfora das “Três Peneiras”, baseada na verdade, bondade e utilidade.

De acordo com a lenda, um homem se aproximou de Sócrates para contar algo sobre alguém. Sócrates interrompeu o homem alertando-o que antes de compartilhar qualquer coisa, se faz imperioso confirmar se é mesmo verdadeiro, segue-se para refletir se é uma notícia boa, no sentido de que se vai ajudar alguém ou, a contrário senso, se vai prejudica-lo, na segunda opção não compartilhá-lo. Por fim, Sócrates questionou se a informação que o homem queria compartilhar seria útil de alguma forma, não sendo, não se deve conduzi-la a outrem.

Ao aplicar essa metáfora, podemos ser mais responsáveis ao compartilhar notícias, evitando a propagação de notícias mentirosas. Poupando que nossas mãos, atrás das telas, fiquem sujas de sangue, decorrentes da tragédia e da divida para com a verdade gerada pela mentira.

 

Dra Sara Gabriela Alves da Costa

 

  • Advogada especialista em Direito Penal e Criminologia
  • Direito Digital
  • Ativista na defesa dos direitos das mulheres e minorias
  • Presidente do Projeto Social Seja a Princesa que Salva a Si Mesma

 

Escritório Travessa Bezerra de Menezes, Nº 130, St. Sul, Goiânia, Go.

E-mail: [email protected]

Acesso ao Instagram: @saragabi_

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Dra Sara Gabriela

Dra Sara Gabriela Alves da Costa -Advogada especialista em Direito Penal e Criminologia -Direito Digital -Ativista na defesa dos direitos das mulheres e minorias -Presidente do Projeto Social Seja a Princesa que Salva a Si Mesma Escritório Travessa Bezerra de Menezes, Nº 130, St. Sul, Goiânia, Go. E-mail: [email protected] Acesso ao Instagram: @saragabi_

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