Goiânia – Vereadores da CEI investigam favorecimento de empresa que prestava serviço à Saúde

Segundo auditoria da própria prefeitura a que o vereador teve acesso, em 2013, a Cliame era responsável por 27,36% do total de procedimentos.

Os vereadores da Comissão Especial de Inquérito que apura irregularidades na Saúde em Goiânia investigam um suposto esquema de favorecimento da empresa CLIAME – Centro de Atendimento Médico Especializado –  na prestação de serviços ao Município. O relator da CEI, vereador Elias Vaz (PSB), descobriu que a empresa passou a concentrar, em quatro anos, quase todo o serviço contratado pela Secretaria Municipal de Saúde para a retirada de cálculos renais, conhecido como litotripsia.

Segundo auditoria da própria prefeitura a que o vereador teve acesso, em 2013, a Cliame era responsável por 27,36% do total de procedimentos. Em 2014, esse volume saltou para 50,42%. Em 2015, subiu mais um pouco: 59,46%. E em 2016 a empresa realizou 70,19% do serviço de litotripsia pago pelo Município. Além disso, a auditoria revela que a prefeitura pagou à Cliame por procedimentos que exigiam internação apesar de a empresa não dispor de leitos.

Chamam a atenção alguns fatos confirmados pelos depoentes nesta sexta-feira. A ex-diretora de Regulação, Avaliação e Controle do Município, Daniela Domiciano de Moura, já havia trabalhado em outra empresa do mesmo dono da Cliame, George Alves de Brito. Daniela admitiu ainda que o marido dela formou na mesma turma de Medicina de George e que ela e o proprietário da clínica mantém relações de amizade. “É muita coincidência a Daniela ocupar desde o fim de 2013 até o ano passado cargo de direção na Regulação, que praticamente decide que empresa vai executar os serviços, podendo direcionar o atendimento para quem quiser, e justamente nesse período a Cliame registrar esse crescimento vertiginoso nos atendimentos”, afirma Elias Vaz.

Na época da auditoria feita para apurar por que a Cliame sempre ultrapassava as cotas mensais e chegava a atender cinco vezes mais pacientes que outras clínicas credenciadas, a ex-diretora pediu vista do processo. E só devolveu a documentação depois de cobrança dos auditores. Para os vereadores, ela justificou que “queria saber por que o processo (para liberação de pagamento) estava parado” e sustentou que devolveu os documentos depois que soube que estavam passando por auditoria.

Questionada por Elias Vaz sobre o alto volume de procedimentos liberados para a empresa, Daniela Domiciano argumentou que não tinha acesso a prontuários e que os pedidos eram feitos após consultas médicas. Já o dono da Cliame tentou atribuir os números à ‘falta de vontade de outras clínicas em realizar o procedimento’.

Mas o relator da CEI esclarece que a investigação vai continuar. “Queremos descobrir se houve favorecimento da empresa, com direcionamento de pacientes para serem atendidos especificamente por essa clínica. Não é possível que ela seja a única interessada em atender o cidadão de Goiânia. Esses argumentos não convencem”. A empresa foi descredenciada pelo Município ontem (15), segundo informou a vereadora Cristina Lopes durante a reunião da Comissão .

Odontológos

Elias Vaz também solicitou que a CEI cobre esclarecimentos da Secretaria Municipal de Saúde sobre o remanejamento de odontólogos que atuavam no Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (Crof) para unidades de saúde. Os profissionais eram responsáveis por cirurgias buco-maxilo-faciais e, com a medida, os procedimentos foram suspensos no Município.

 “Com isso, o paciente ou fica sem atendimento ou vai ter que procurar o Hugo, que cuida de casos muito mais graves, ou seja, vai aumentar o custo e a espera do paciente, que sempre acaba pagando essa conta. A Secretaria de Saúde precisa explicar por que fez esse remanejamento. O Município tem os profissionais na rede e tem os equipamentos para fazer as cirurgias. Não faz sentido”, afirma o vereador.

Frota Saúde

A Comissão decidiu convocar para a próxima quinta-feira (22) a gerente de transporte da SMS desde 2014, Maxilânia Clemente Costa, o ex-supervisor de transportes da Secretaria, Wilson Rodrigues, e um dos donos da Útil Pneus Peças e Serviços Ltda. Os depoimentos seriam na próxima segunda, mas foram remarcados porque o prefeito Iris Rezende vem à Câmara para prestação de contas.

Os três convocados vão ser ouvidos sobre a denúncia apresentada por Elias Vaz de superfaturamento na manutenção da frota da Secretaria Municipal de Saúde. Entre 2012 e 2016, a prefeitura pagou R$13.745.469,05 à Útil Pneus, Peças e Serviços Ltda, com sede no Setor dos Funcionários, em Goiânia. A média é de R$37.250 por veículo.A frota tem 369 veículos, entre carros populares (que representam 57,45% do total), e utilitários, como caminhonetes e vans, algumas usadas como ambulâncias. Os vereadores da CEI descobriram ambulâncias com alto custo de manutenção sucateadas em um pátio da prefeitura.

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