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Jornal de Goiás – Ação da BRF recua 3% após balanço trimestral com Ebitda ajudado por ganho tributário

As ações da BRF recuavam cerca de 3% nesta sexta-feira, mesmo após registrar lucro líquido de 446 milhões de reais nas operações continuadas no terceiro trimestre, revertendo prejuízo de 860 milhões de reais um ano antes, em meio a efeitos tributários e queda sequencial em margens.

Às 10:47, os papéis caíam 3,2%, a 34,81 reais, entre as maiores quedas do Ibovespa, que se desvalorizava 1,2%.

A BRF realiza neste momento teleconferência sobre o resultado.

A forte demanda por carne ajudou a empresa de alimentos a manter seu ritmo ascendente, de acordo com a companhia, citando aumento de volumes tanto no mercado doméstico quanto na Ásia, onde uma doença dizimou rebanhos de suínos e causou um desequilíbrio na oferta global.

A receita líquida consolidada somou 8,5 bilhões de reais, contra 7,8 bilhões de reais no mesmo período de 2018. Em volumes, as vendas alcançaram 1,1 milhão de toneladas, virtualmente estáveis na comparação ano a ano, conforme balanço divulgado nesta na sexta-feira.

No segmento Brasil, a empresa disse que observou retomada de volumes, com crescimento de cerca de 8% em relação ao segundo trimestre de 2019, praticamente atingindo o mesmo patamar do ano passado. Na teleconferência, executivos da empresa citaram que a queda de preços de aves no país foi pontual e que os preços devem se recuperar nos próximos meses.

Nos mercados internacionais, especialmente na Ásia, a BRF disse que houve alta de cerca de 5% no volume frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Também citou que os preços médios de venda apresentaram uma forte expansão de 32% ano a ano e 7% na base trimestral.

Analistas tinham previsto lucro líquido de 171,35 milhões de reais para a BRF no terceiro trimestre, segundo dados da Refinitiv.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado chegou a 1,6 bilhão de reais no último trimestre, forte alta em relação ao mesmo período de 2018, quando atingiu 579 milhões de reais. A margem de Ebitda ajustado saltou para 19%, ante 7,4% um ano antes.

Desconsiderando o ganho tributário referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, porém, o Ebitda ajustado totaliza 1,1 bilhão de reais, quase o dobro do valor registrado em igual período do ano passado. As estimativas dos analistas apontavam Ebitda de 1,190 bilhão de reais.

Analistas do BTG Pactual ressaltaram que excluindo o benefício fiscal, o Ebitda ficou aquém das expectativas, bem como a margem Ebitda recorrente teve queda na base sequencial, o que, na visão deles, é o maior ponto de frustração diante do câmbio favorável e cenário benigno de custo no trimestre.

Excluindo o benefício fiscal, a margem Ebitda ajustado no terceiro trimestre foi de 13,5% ante 14,6% no segundo trimestre.

Já analistas do Itaú BBA liderados por Antonio Barreto consideraram o resultado como neutro, mas sinalizaram dúvidas sobre o fluxo de caixa e receios com o futuro da empresa.

“A empresa reportou um FCFE (fluxo de caixa do acionista)…bem acima da nossa expectativa… No entanto, liberou cerca de 300 milhões de reais em capital de giro e gostaríamos de entender quanto disso estava relacionado a operações com juros e se havia ganho de caixa relacionado a ganhos não recorrentes”, afirmaram.

“Nossa preocupação vai além. Com preços de grãos acima do esperado, estimativas de maior produção de aves na China, as guerras comerciais podem aumentar a concorrência e reduzir a retomada das exportações de frango do Brasil”, ressaltaram.

GUIDANCE

A BRF também revisou sua estimativa para o indicador de alavancagem medido pela relação dívida líquida/Ebitda ajustado, para cerca de 2,75 vezes ao final de 2019. A companhia encerrou setembro em 2,9 vezes, abaixo do múltiplo de 6,74 vezes do final do mesmo mês do ano passado.

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