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O Brasil no abismo de uma intervenção militar

O governo, de imediato não cedeu às reivindicações da categoria, está agindo nas negociações com a classe sindical dos caminhoneiros, porém existe uma falta de coerência entre o sindicatos e os grevistas.

Em seu oitavo dia, a greve dos caminhoneiros, uma paralisação que em seu sentido literal, conseguiu parar o Brasil, implantou resistência em bloquear a passagem de veículos de grande porte nas entradas das grandes e pequenas cidades e principais vias do país. Com isso, supermercados, hospitais, farmácias, postos de gasolinas e principalmente a população estão sofrendo os graves efeitos dessa paralisação, que está gerando consequências, poucas vezes vistas na história da República brasileira.

O governo, de imediato não cedeu às reivindicações da categoria, está agindo nas negociações com a classe sindical dos caminhoneiros, porém existe uma falta de coerência entre o sindicatos e os grevistas. O governo Temer novamente está acuado pela mobilização social, ano passado, nesta mesma época, ele vivia tenebrosos momentos após vazamento de áudios de Joesley Batista e logo em seguida as denúncias da Procuradoria Geral da República. Eminentemente, Temer foi o principal alvo das críticas e deboches em razão da paralisação.

E devido a resistência dos caminhoneiros, ele concedeu a GLO (Garantia da Lei e da Ordem), fazendo com que as forças armadas tenham pleno poder em rebocar os caminhoneiros que impedem a passagem de mercadorias para uso hospitalar, farmacêutico e de combustível para os aeroportos.

Após a concessão à intervenção militar no âmbito da segurança no Rio de Janeiro em 2017, esta é a segunda vez em que um Presidente da República recorre ao exército, afim de, solucionar, algum agravo no âmbito do executivo. Estas duas ações estão dando ainda mais força a uma instituição que no passado interviu no Brasil com a promessa de garantir a ordem nacional. O cenário brasileiro atualmente não difere muito de 1964, o governo é totalmente desarticulado, com rejeição plena da população, economia com crescimento pífio e a desordem na segurança pública. E outro ponto que remete ao ano de 1964 é o apoio popular, onde podemos observar em grande parte dos caminhoneiros tendência ao apoio de uma possível intervenção militar.

Enquanto o Brasil está com todos os holofotes ligados na grande paralização, o foco das eleições de 2018 foi desviado, a esquerda claro que se posicionou  a favor dos caminhoneiros, porém esperava-se um amparo maior até por ser ligado as massas, a direita ficou neutra, o que cabe grande observação é o pré-candidato da extrema direita, o deputado federal Jair Bolsonaro. O parlamentar foi simplesmente o nome mais citado nas redes sociais quando se trata da greve, dessa forma observamos um líder ligado ao exército  frente a uma mobilização social.

Esse clamor por uma intervenção militar diante desta paralisação dos caminhoneiros, é reflexo da crise da representação que eu já dissertei em publicação anterior no “Folha de Goiás”, existe uma distanciamento entre população e seus representantes, a demora do governo em ceder as reivindicações da paralisação, compilou ainda mais para esta crise política e eleitorado, abrindo brecha para outras formas de representação, representação esta que no passado já foi acionada, embora, nada tenha adiantado deixando apenas um passado sombrio, uma inflação exorbitante e marcas de sangue no passado brasileiro.

O Brasil no abismo de uma intervenção militar
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Valdivino Afonso Moreira Neto - Opinião Pública

Valdivino Neto é Acadêmico de direito da faculdade Montes Belos

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