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Papa revela seus segredos para combater o estresse e reconhece corrupção no Vaticano

O Papa Francisco assegurou que seu espírito está em paz desde a sua eleição ao pontificado, e que, apesar de ter que enfrentar a corrupção dentro do Vaticano, não precisa recorrer a remédios.

“Há corrupção no Vaticano. Mas estou em paz”, declarou o Papa em um encontro com autoridades de congregações religiosas publicado nesta quinta-feira pelo jornal italiano Corriere della Sera.

Pela primeira vez desde que se tornou Papa, Francisco mencionou o peso que representa um dos grandes males internos do Vaticano, a corrupção, e sobre como lida com isso.

“Nas conversas prévias ao conclave, já se falava de reformas. Todos as queriam, porque há corrupção no Vaticano”, afirmou.

Mas “desde o momento em que fui eleito, senti uma profunda sensação de paz. E isso nunca me deixou. Eu estou em paz, eu não sei como explicar isso”, garante.

A ansiedade e a tensão que, por vezes, o tomavam quando era arcebispo de Buenos Aires desapareceram depois de sua eleição ao papado, em 13 de março de 2013, garantiu Jorge Bergoglio.

E assegura ainda que as manobras dos conservadores que se opõem ao seu tom e às suas reformas não o impediam de dormir: “São José me guarda”.

O Papa explica confiar seus problemas mais complicados em pequenos bilhetes que ele desliza sob uma pequena estátua do carpinteiro que criou Jesus de acordo com os Evangelhos.

O objeto repousa agora sob um colchão de mensagens…

“É assim que eu durmo bem. É a graça de Deus. Durmo seis horas todos os dias. E eu rezo…”, disse o pontífice argentino, de 80 anos, antes de enumerar: breviário, rosário, missa diária…

Durante a conversa com os religiosos, Francisco ressaltou que em certas ocasiões é preciso “deixar passar” e que as críticas, “quando servem para fazer crescer, as aceito e respondo”, afirmou.

“Eu não tomo medicamentos ansiolíticos”, insiste. “Os italianos dão um bom conselho: para viver em paz, precisamos de uma boa dose de ‘eu não estou nem aí'”.

– A pedofilia, uma doença –

As autoridades religiosas, o Papa pediu que encarem o fenômeno da pedofilia e dos abusos sexuais de crianças como se fosse uma doença.

“Vamos enfrentá-lo. É uma doença. Se nós não nos convencermos de que é uma doença, não poderemos resolver o problema”, disse ele.

“Aparentemente, dois em cada quatro pedófilos sofreu abusos e isso é devastador”, comentou.

Francisco também solicitou mais atenção na seleção dos candidatos a ser religiosos para conter o fenômeno, que tanto desacreditou a igreja católica.

“Temos que verificar a maturidade emocional” de qualquer candidato, considerou.

“Por exemplo, não se deve receber para a vida religiosa ou em uma diocese candidatos que tenham sido rejeitados em outra sem pedir informações detalhadas sobre o por que de terem sido afastados”, aconselhou.

Durante as três horas da reunião, o Papa também confessou que quando entrou para o noviciado para ser jesuíta deram-lhe o cilício, o famoso acessório usado para mortificação corporal e usado para combater a tentação.

“Nenhum problema com o cilício, mas atenção: não deve servir para demonstrar a própria força e bondade. A verdadeira essência é de ser mais livre.”.

AFP
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